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03/07/2010

Por que não é bíblica a desassociação (II)













Quanto ao texto de 2 Tessalonicenses 3:13-15, eu aconselho a seguir o mesmo sistema de leitura exegética, ou seja, a ler o contexto inteiro: “Mas, se alguém não for obediente à nossa palavra por intermédio desta carta, tomai nota de tal, parai de associar-vos com ele, para que fique envergonhado. Contudo, não o considereis como inimigo, mas continuai a admoestá-lo como irmão”.

Nesse caso, não se trata de desassociação, de expulsão, mas dos casos em que um membro da congregação age de forma desobediente. É quase uma “repreensão” como as Testemunhas usam o termo, caso este em que a pessoa não será mais bem vinda a nenhuma reunião social, isto é, a eventos associativos. Se levássemos ao pé da letra, a pessoa realmente deveria ficar “envergonhada”, desde que fosse exposto a partir da tribuna, para todos saberem, que ele ou ela estaria “sob nota”. Mas nem isso as TJ’s fazem direito, pois o processo, na maioria das vezes (ou seja, salvo raras exceções) corre todo em segredo pelo corpo de anciãos...

O que Pascoal, Sebastião, eu e outros questionamos não é a prática da exclusão dos membros em si mesma, que é legítima em qualquer tipo de associação, como disse anteriormente, mas A FORMA COMO ESTE ESTATUTO ESTÁ REDIGIDO E É APLICADO. Trata-se de um flagrante desrespeito aos direitos humanos e uma ofensa a Deus. Entre os abusos que são feitos está a aplicação hedionda e mal direcionada do que Davi disse no Salmos 139:21-22. A Sentinela 15 de março de 1996, p. 16 par. 6, no artigo “Como passar na prova da lealdade”, coloca os desassociados no mesmo pacote dos piores inimigos de Jeová, de pessoas do mundo, desviados e incorrigíveis, ao dizer:


“Queremos ter a lealdade que o Rei Davi evidenciou ao dizer: “Acaso não odeio os que te odeiam intensamente, ó Jeová, e não tenho aversão aos que se revoltam contra ti? Odeio-os com ódio consumado. Tornaram-se para mim verdadeiros inimigos.” (Salmo 139:21, 22) Não queremos confraternizar com pecadores deliberados, porque não temos nada em comum com eles. Não deve a lealdade a Deus impedir que mantenhamos contatos sociais com tais inimigos de Jeová, quer em pessoa, quer por meio da televisão?”(grifo meu)


Detestável. Ao invés de buscar fazer como o Pastor em Lucas, capítulo 15:1-7, que deixa as 99 ovelhas para correr em busca da perdida, o Corpo Governante manda que pessoas, seres humanos, muitas vezes sem forças nem para retornar para os braços de Deus, para a comunhão com Ele, sejam ignoradas e tratadas com ódio! Imagine! Tudo isso em oposição ao que Deus diz, que devemos ter amor ao perdido, acolhê-lo, aconchegá-lo, para ver se ele retorna de seus maus caminhos (Isa. 55:6, 7; Eze. 33:11; Mal. 3:7).

Conheço casos de pessoas que estão há anos fora das Testemunhas de Jeová e querem até retornar, mas se sentem fracos, sem energia para isso. Algumas me contaram que gostariam que houvesse um programa oficial de ajuda a essas pessoas, mas, ao contrário, as congregações as ignoram. Se ao menos tivessem apoio de suas famílias...! Mas nem isso! Membros das famílias imediatas, que moram na mesma casa, devem apenas conversar o mínimo com essas pessoas, e os que não moram com eles, nem isso! Como uma pessoa se sente nessa situação? Não conheço pessoalmente, mas já li a respeito de casos de depressão, síndrome do pânico e até alguns suicídios de pessoas que não conseguiam mais retornar depois de desassociadas e desistiram de tudo.




por Cleber Tourinho

ex-testemunha-de-jeová, professor, linguista, revisor de textos, orientador em Medotodologia da Pesquisa Cientifica e está mestrando em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia



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Porque não é bíblica a desassociação (I)













Infelizmente, faltou à Associação Torre de Vigia (ATV) esclarecer às pessoas que o instituto da desassociação não vem de Jeová, mas do Corpo Governante. Se você conjugar todos os paralelos bíblicos em relação ao assunto verá que Jeová está sempre de braços abertos para acolher IMEDIATAMENTE um pecador genuinamente arrependido. Não há nas Escrituras qualquer paralelo que mostre que Ele deu seis meses ou um ano ou vários anos de prova, com a boquinha calada, sentado no banco, sendo ignorada pela família e pelos “amigos”, até que a pessoa fosse JULGADA por um corpo de anciãos como digna de fazer parte de seu povo novamente.

Ao contrário, uma leitura básica da Bíblia te mostrará que PRIMEIRO Jeová acolhe o pecador DEPOIS ele é ajudado a abandonar seu estado lastimável. Basta a pessoa arrependida se voltar para Deus. Sem provas. Sem chibatadas sociais. Sem vergonha ou humilhação. É tão simples!

Vejamos um exemplo: uma jovem tem relações sexuais com seu namorado, contudo, não vê nada demais nisso. Os anciãos a chamam em uma comissão judicativa e a desassociam. Logo após ela se arrepende, pois vê que estava errada. O que fazer?

Bom, Jeová, por meio de Jesus, proveu a resposta. Veja sua reação na parábola do filho pródigo:

“Enquanto [o filho] ainda estava longe, seu pai o avistou e teve pena, e correu e lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou ternamente” (Lucas 15:20).

Mesmo com esse paralelo claríssimo, os anciãos dizem que a pessoa deve passar um tempo no banco, sendo ignorado, apontado como pecador, evitado até pela família... que deve se casar, ou então dissolver esse namoro... que não poderá comentar na reunião, ir no ônibus da congregação para a Assembleia de Circuito, não poderá pegar uma carona no carro de um irmão, muito menos que se deve orar por essa pessoa. Prá não falar que durante esse tempo, a pessoa que “ se lixe”, se ela precisar de uma ajuda qualquer, seja em relação a um trabalho, dificuldade na família, doença, emprego, e tantas outras que apenas temos em associação íntima com alguém ou em uma comunidade unida, que ela fique por si só, dê seu jeito... foi ela quem escolheu o caminho da desassociação, não foi? Que amor é esse, hein? Que não pode acolher uma pessoa que está querendo voltar ao seu meio? Que não pode dar um abraço a uma pessoa que precisa? Que não pode perguntar nem mesmo “como vai, como foi seu fim de semana”? Isso é disciplina? Lamento, mas se você é um bom leitor da Bíblia, verá que isso é heresia...

Quanto aos “fundamentos bíblicos” para tal ação da ATV, são todos fraquíssimos e não se sustentam ante o peso da evidência. A Associação usa o texto de 2 João 10, 11 como base de seu tratamento em relação aos desassociados e dissociados. Contudo, empregam tal passagem TOTALMENTE FORA DE SEU CONTEXTO ORIGINAL. Convido-o a ler o texto integralmente, a carta inteira de 2 João. No versículo 7, o apóstolo diz: “Pois, muitos enganadores saíram pelo mundo afora, pessoas que não confessam Jesus Cristo vindo na carne. Este é o enganador e o anticristo".

Depois, do versículo 8 ao 11, o apóstolo dá um conselho aos leitores em relação à situação de perigo espiritual quanto a esses tipos de pessoas que rejeitam a Cristo e pregam o engano, dizendo que Cristo não veio na carne. Contra esse tipo de pessoa é que os cristãos devem se guardar, “nem o recebendo em seus lares, nem os cumprimentando”, pessoas que “se adiantaram”, “não permaneceram no ensino de Cristo” e agora defendem outro ensino diabólico. Ou seja, anticristos ativos e atuantes. Não se fala em lugar algum de crentes que
pecaram. Nem em desassociação, palavra que nem na Bíblia está.

Veja a situação delicada que o Corpo Governante põe sobre seus ombros: julgam mais do que Jeová. Aquele que o verdadeiro Deus vê como pessoa aflita e perdida, que precisa de consolo e cuidado, como uma ovelha entre as cem, machucada e desesperada, os CG pede para que vejamos como ANTICRISTOS
EMPEDERNIDOS!

Agora, caro leitor, em momento nenhum dizemos ser contra a exclusão ou afastamento de um membro que seja um pecador empedernido do meio da congregação, ou de uma igreja. Isso aí é coisa que se faz até no mundo, nas esferas seculares. Caso você faça parte de uma associação qualquer, um conselho, um clube, uma escola, etc., ou mesmo no trabalho normal, há normas internas que devem ser respeitadas sob pena de (a) repreensão verbal ou escrita, (b) afastamento temporário ou (c) desligamento total.

Isso é diferente das organizações religiosas? Não, de forma alguma.

Ao contrário do que pregam as Testemunhas de Jeová em várias publicações, existem expulsões e desligamentos nas igrejas evangélicas, mas sempre depois de um longo processo de ajuda espiritual à pessoa, antes de serem tomadas as providências cabíveis.

Quando você aceita se tornar membro de uma igreja qualquer, ou de associações filosóficas ou políticas, deve ter em mente suas normas, seus estatutos, entre eles os que podem demandar sua exclusão como membro. Nesse caso, o texto citado pelas Testemunhas, 1 Coríntios 5:9-13, está devidamente aplicado. Paulo escrevia aos crentes em Corinto que não faziam nada para que aquele homem imoral se consertasse, logo, havia negligência espiritual por parte deles. Contudo, lendo com atenção os versículos circundantes (coisa que raramente as Testemunhas fazem), vemos que a grande preocupação era com a ação da própria congregação ante o pecado, não necessariamente com o pecador em si. Não se esqueça de que esta carta que Paulo escreveu tinha objetivos claros: exortar toda a congregação coríntia a um reavivamento espiritual, o que é claramente visível na quantidade enorme de problemas que o apóstolo discute ao longo de sua epístola.

Prova de que está errada a metodologia da desassociação conforme o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová prega pode ser vista no modo como a aplicação deste texto é feita na segunda carta de Paulo aos Coríntios. Conforme uma publicação da própria ATV, o Estudo Perspicaz, volume l, p. 563 e 564, “Paulo escreveu esta primeira carta à congregação cristã em Corinto, por volta de 55 EC [...] Paulo escreveu a sua segunda carta aos coríntios provavelmente durante o fim do verão ou começo do outono setentrionais de 55 EC”. Assim, no intervalo de meses, não de anos, nem de décadas, mais em poucos meses, de acordo com o arrependimento daquele “homem iníquo”, “Paulo respondeu na sua segunda carta elogiando-os por sua aceitação favorável e aplicação do conselho, exortando-os a ‘perdoar bondosamente e a consolar’ o homem arrependido, ao qual evidentemente haviam expulsado da congregação” (Perspicaz, v. 1, p. 564).



por Cleber Tourinho de Santana
ex-testemunha-de-jeová e membro do ABAC (Associação Brasileira de Apologistas Cristãos)



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28/06/2010

Ensaio sobre José Saramago e o fenômeno religioso













(…) até que, como de costume, tudo termina num buraco, no caso das formigas lugar de vida, no caso dos homens lugar de morte, como se vê não há diferença nenhuma…" José Saramago



Desde os tempos mais remotos até os nossos dias, ritualidade e religiosidade entranham-se como parte intrínseca na alma humana. O homem é em sua essência um ser religioso e obstinadamente tendenciado através de ritos, aproximar-se de entidades superiores. São fenomenos percebidos claramente em todas as sociedades, seja na mais tribal, como também, na mais evoluída. Aliás, os fenomenos religiosos da nossa assim denominada "pós-modernidade" são em sí um fator que cresce em escala nunca antes vista, reafirmando que a cada dia o homem procura experiências espiritualistas!

Fenomeno pode ser definido como “tudo o que está sujeito à ação dos nossos sentidos, ou que nos impressiona de um modo qualquer, física,moralmente ou espiritualmente!”

Começar esta coluna com um “Ensaio sobre José Saramago e o Fenomeno Religioso”, torna-se pertinente, pois o falecimento dias atrás do escritor maior da lingua portuguesa e inimigo ferrenho da fé, estimula mais ainda o assunto!

Saramago declarou: “Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro…”

José Saramago, novelista e jornalista, declarado ateu e socialista, nasceu em 1922. Sua obra "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" faz parte das mais de 600 obras escritas sobre a vida de Jesus.

O escritor português disse que o inferno "nunca teve nada a ver com a religião". "Para mim, sustentou ele:

…o inferno é este planeta onde vivemos, onde sofremos…

Ele disse que o “fenômeno religioso” sempre o interessou.

Declarou:

-"As pessoas têm necessidade de acreditar em algo que as transcendem e que vai mais além, que é uma forma de tratar de equilibrar os desastres do mundo"…


Autor de muitas obras e Nobel da Literatura é um ícone da cultura portuguesa, elevando a nossa lingua mãe no mais alto degrau no pódium da literatura. É inegável a contribuição intelectual de Saramago não só na cultura portuguesa, como mundial!

Crítico da Bíblia, da Fé e de Deus, Saramago amargou e destilou em sua alma uma revolta viceral contra tudo que se chama Deus, mas não o fez apenas na esfera da confissão cristã: fê-lo também contra outras confissões religiosas.

Lembro-me nos tempos da Universidade de ler um texto de sua autoria que ele tematizou: “O Fator Deus”.

Segue abaixo algumas partes de seu comentário…


“Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, deveríamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar. Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel.(…)”


A grande questão é que Saramago parece generalizar a religião e colocar Deus como uma entidade criada no imaginário coletivo e, sendo assim, o grande protagonista de todas as mazelas da vida!

Quanto a sua declaração, que não era ateu total e que buscava Deus todos os dias, porém não o encontrava, revela acima de tudo que sua alma tinha fome. Sim! Sua declaração revela na verdade a necessidade mascarada que Saramago possuía em suas entranhas de um dia “ter um encontro com Deus”!

Sem desmerecer os valores e contribuições que Saramago proporcionou à literatura, lembro-me de uma afirmação simples mas muito verdadeira em sua essêncialidade: “Deus sem o homem continua sendo Deus, o homem sem Deus é nada!”

O grande problema de Saramago foi catalisar toda a sua apologia contra Deus partindo do pressuposto das ações tiranas que em nome de Deus se fez durante toda a história. Diz ele em seu “Fator Deus”:


“Ao leitor crente (de qualquer crença...) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiraram, não peço que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento de não poder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do "fator Deus". Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.”


Todo o leitor, ao ler qualquer obra de José Saramago onde questiona Deus e a fé, deverá interpretar a leitura à partir dessa hermenêutica acima - o “Fator Deus”. Sendo assim, compreenderá que toda a revolta de Saramago, assenta-se na questão dos crimes e mazelas que são cometidos em nome de Deus! Isso, porém, não isenta Saramago de sua opção, escolha e responsabilidade espiritual de rejeitar a realidade de uma fé genuína que revela e manifesta o único Deus de toda a terra!

Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniquidade;… Salmos 53:1


Saramago não só disse, como também escreveu!…




por Ideberto Bonani

é formado em Ciência das Religiões pela Universidade Lusófona de Lisboa, diretor fundador da RETOS (Renovo: Escola de Treinamento de Obreiros), pastor da Igreja Batista Renovo de Porto, vice-presidente da Convenção Batista de Portugal, associado do ABAC (Associação Brasileira de Apologistas Cristãos) e assina a coluna Universo Religioso do INPR Brasil.







20/06/2010

Igreja Universal dos Fumantes de Deus: que religião é essa?













A Holanda não é nem nunca foi um exemplo de moralidade para o mundo ocidental - drogas, prostituição, cigarros são apenas alguns dos exemplos do que rola por lá. Entretanto, o que mais tem chamado a atenção no submundo do haxixe holandês é a primeira igreja do mundo exclusivamente para fumantes. A Igreja Universal dos Fumantes de Deus (IUFD), surgiu quase como que uma brincadeira. Um espertalhão holandês descobriu uma forma de dibrar a lei de proibição de fumar em locais públicos - ele teve a "brilhante ideia de fundar uma igreja só para fumantes", onde os membros ficam livres para viajar num bolo espacial, haxixe misturado com tabaco, sem passar por qualquer constrangimento. A "Igreja" existe desde 2001, mas somente ganhou fôlego com a promulgação da lei antitabaco.

De acordo com a BBC Brasil, a nova lei - que entrou em vigor em julho de 2008 - proíbe o fumo em cafés, bares e restaurantes e segue o exemplo de vários outros países europeus, que já adotaram a proibição. De acordo com a legislação, os famosos joints – cigarros de maconha ou haxixe misturados com tabaco – só poderão ser consumidas em espaços internos reservados e isolados do restante do público nos coffee shops.

Michiel Eijsbouts

Eijsbouts é o idealizador da Rokerskerk ("Igreja dos fumantes", termo esse adotado pelos holandeses). Rotereirista por profissão, Michiel Eijsbouts é uma fígura cômica daquelas que podem até tirar alguns risos, mas que no fundo tem causado um mal - estar irreparável na comunidade protestante europeia. Com um chapéu engraçado, o fundador declara em entrevistas que a sua igreja surgiu a partir da leitura de um suposto e engraçado livro sagrado escrito em estílio bíblico, e que teria sido escrito em 1336, pelo apostolo Ricardo. Não há qualquer referência a Cristo e aos apóstolos , mas o texto dá uma nova versão à criação do mundo e redefine a Santíssima Trindade: Fogo, Cinza e Fumaça, cada elemento com sua simbologia. Com base nisso, o ato de fumar é considerado a forma dos fieis de louvar a Deus, e os valores sao centrados em diversão, prazer e convivência pacífica entre as pessoas, como também pregam breves "encíclicas" sobre temas diversos encontradas no site.

Segundo Cor Bush - proprietário do café Le Tilleul de Alkmaar (norte de Amsterdã) e um dos idealizadores do movimento -, seu objetivo é defender "a liberdade religiosa" da Constituição da Holanda, país majoritariamente protestante onde há inumeráveis "igrejas". Bush defende o príncipio de que a santíssima trindade da igreja é a "fumaça, o fogo e a cinza".

Tudo isso nos faz lembrar o hilário Gigolô Europeu por Acidente, interpretado por Rob Schneider. No filme, Deuce Bigalow é convidado por seu antigo cafetão para fazer uma viagem a Amsterdã, onde acaba descobrindo que está sendo redirecionado para os "negócios da carne", o que inclui aventuras sexuais e uma experiência nada elegante com o bolo espacial holandês. É uma brincadeira típica de um humorista o que o pessoal da Igreja Universal dos Fumantes estão fazendo na Holanda, e que já tem repercussão no Brasil.

Não é que os comediantes - ou extrategistas do tabaco holandes, como queira defini-los -, têm chamado a atenção de milhares de jovens brasileiros? Além do portal fumantesunidos.org, já existe até mesmo uma comunidade no Orkut dedicada exclusivamente a Igreja Universal dos Fumantes. Em um dos tópicos da comunidade, uma nos chama a atenção: expulgando os chatos não fumantes. Transcrevemos a seguir dois dos posts publicados por seguidores.


"Expurgando os chatos não fumantes...

... E pelo fogo da marofa de um maço de cigas inteiro eu te amarro! Saaaaaaai mala sem alça, sái chato, eu declaro em nome do Deus dos fumantes que volte para o círculo social das pessoas pentelhas que enchem o saco dos nossos servos fumantes para pararem de fumar.

Eu te condeno demônio de pessoa pentelha chata intrometida, que sejas consumida pela marofa de cigarros nos pontos de ônibus, boates, ruas, e que o vento sagrado de Deus dos fumantes te persiga eternamente.

Em nome da Souza Cruz, Amém!!! Agora, uma pausa pro ato sagrado...vamos todos acender seus cigarrinhos e louvar de todo coração, queima! Queima teu cigarrinho em paz, só TÚ me preenches!"

É isso aí gente, o sangue de Deus dos fumantes tem poder! Mas não muita paciência com pessoas intrometidas ;)

Ah, e ia me esquecendo! kkk

"Abra seu coração - caro fumante, sabe aquele cigarro que sempre acende pro lado errado, aquele maço que molha com a chuva? É a falta de fé irmão, dê seu dízimo e faça uma aliança com Deus dos fumantes, coloque agora um maço de Hollywood, Free, Marlboro, qualquer marca no altar sagrado, é gente, aquele que está com uma garrafa de cerveja e umas linguicinhas fritas e liberte-se! Liberte-se dessa dica de perder cigarros, de fumar filtro virado, de acabar cigas na madruga!"

Reverendíssimo

Desencapetamento Total. Grato por postar esta inspirada preçe, irmã.
Sua oração forte será incorporada ao nosso ritual de desencapetamento para exorcizar as potestades anti-tabagistas e sua legião de neiróticos, hipocondríacos e chatos em geral.
Oremos e fumemos em gratidão à tão valiosa dádiva.

Amém e Fumém!"



Parece loucura o que você leu nos comentários acima? Então prepare-se: eles também dizem seguir os dez mandamentos - mas, é claro, diferentes daqueles de Êxodo 20. No tópico Dez Mandamentos, encontramos mais essa bizarrice.

Os 10 Mandamentos dos Fumantes de Deus

1- Amarás a Deus sobre todas as coisas, e acenderás um cigarro para louvá-Lo com sua Santa Fumaça, sempre que tua alma sentir a necessidade de comungar com o Criador.
2- Não acenderás teu cigarro em vão
3 - Amarás ao fumante, assim como o não fumante.
4 - Respeitarás os direitos dos não fumantes, mas exigirá o mesmo respeito para ti e para teus irmãos de fé.-
5 - Não fumarás em locais públicos que sejam realmente fechados.
6 - não cobiçarás o cigarro do teu próximo
7 - Não roubarás o cigarro, nem o isqueiro nem os fósforos do teu próximo
8 - Serás solidário com o teu irmão de fé que te filar um cigarro.
9 - Não se intrometerás na vida do próximo, e não permitirás que se intometam na tua
10 - Não farás proselitismo, pois a fé deve ser espontânea para ser real pearante a Deus.






por Johnny T. Bernardo
do INPR Brasil






 

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